Pense no que você comeu hoje. Pãozinho no café da manhã, um pedaço de queijo no lanche, manteiga na torrada, achocolatado no copo. Parece pouco, mas o leite aparece em quase tudo — só que a gente nem percebe. Ele está ali, misturado, transformado, escondido em formas que ninguém mais olha e vê leite.
Aquele pão francês da padaria leva leite na massa. O pão de queijo então, é leite puro — na forma de queijo e no polvilho fermentado, que nasce do leite. A muçarela da pizza, o parmesão ralado no macarrão, o requeijão no pão, o queijo coalho da churrasqueira: tudo leite. A manteiga na torrada do bolo, no matinheinho, não é leite "velho" nem imitação — é leite puro e natural, só que batido até virar uma gordura saborosa e amarela.
Aquele copão branco e quente da manhã — que muita gente nem considera "leite" porque está misturado com pó de café — é um terço de leite na sua xícara, quase sempre integral. E o copo de leite puro, quentinho ou gelado, que ninguém mais bebe porque "achou gordo", é o leite no estado mais puro, que continua existindo — não foi extinto. Na sobremesa, então, é que aparece sem alarde: aquela calda morena e cremosa do doce de leite, do pudim, do pão de manhã, é leite — cozido por horas em panela de pressão com açúcar, até virar caramelo macio.
Você não precisa lembrar que consumiu leite. Ele está ali, desde o café da manhã até a sobremesa, misturado ou escondido em muitas formas que você olha e não vê mais leite. Mas ele continua presente, nutrindo, dando sabor, atravessando o seu dia inteiro sem que você precise pensar nisso.
Se você parar pra reparar, o leite aparece três vezes antes do almoço. E você nem tinha notado.